27 dezembro 2005

O Natal passou por mim inerte...sequer o gozei!

15 dezembro 2005

BALÉ


Ontem assisti a Billy Elliot, emocionei-me a farta! Verdadeiramente, o balé é a dança mais poética, mais divina, mais transcendental, mais mágica que há! O bailarino consegue traduzir em movimentos todo o poder encantatório da poesia. Balé é dança por excelência e, por isso, me ressinto de que meus pais não me tenham estimulado na infância. Todavia o fascínio que há em mim ainda é uma força motivadora e, mesmo com 26 anos, sinto-me inclinado a cometer-me a esse sonho. Quiçá não me surpreenda a ver-me dançar!

14 dezembro 2005

ASSASSINOS SERIAIS


Um tema que há muito me tem fascinado, mas pela sua própria natureza assustadora me impõe reservas de ventilá-lo publicamente. No entanto, mesmo a tratar-se de questões de fundo ético-religioso as que me oprimem, decidi-me valentemente ir adiante. Essa tema são a vida e as motivações dos tenebrososAssassinos Seriais . Para esses indivíduos, matar não é apenas uma compulsão psicótica, embora a psiquiatria assim classifique, mas uma forma de arte elevada que tentam conduzir a uma perfeição que se traduz na estupeção e estonteamento das autoridades policiais e no horror cada vez mais mortificante da sociedade. Matar e passar uma mensagem que busque, de alguma forma, a veneração de uns e o medo de outros. Quais as motivações de uma mente assassina, fria, impassiva à dor alheia, estrastegista e ousada? São diversas. Variam conforme a história pessoal, a educação que tiveram, os incidentes havidos no curso da vida. Mas há algo em comum com eles: querem desentranhar alguma forma de angústia que lhes maltrata caladamente a alma. Isso não os torna vítimas, mas um instrumento mortal em suas próprias mãos. A primeira vez que a expressão assassino serial (ou serial killer) apareceu foi na década de 70 pelo agente do FBI Robert Kessler. Antes de Kessler, usava-se a expressãoEstranger Killer (Assassino Desconhecido) por se crer que o assassino não conhecia sua vitima. Quanto às origens psicorgânicas deste comportamento criminoso, estudos conduzidos na década de 1980 revelaram que esses assassinos sofrem de DPA (Distúrbio de Personalidade Anti-Social) e que o percentual afetado é 2,5%, sendo de maior proporção nos homens que nas mulheres. A pesquisa indicou ainda que a maioria das pessoas que disso padece apresenta o mal nos estágios mais baixos, ou seja, sem sua expressão mortal, haja vista pessoas que gostam de maltratar animais, chefes que se comprazem com a humilhaçãode seus subordinados e um apanhado de tipos sociais quie se caracterizam pela incisiva e obstinada perseguição a outras pessoas. Os fatores predisponentes desse mal ainda são objeto de análise corrente, mas apontam os cientistas que quando a doença chega ao seu estado mais avançado, ela é genericamente deflagrada por problemas finaceiros, traumas de abuso sexual, humilhação durante a infância, família mal estruturada, pais ausentes ou indiferente à educação dos filhos, alcoolismo na família, tanto por parte do doente como por de algum familiar etc. As causas primárias são também debatidas. O que se atina como provável é, por um lado, uma má formação na área do cérebro responsável pelo desenvolvimento da personalidade, por outro, admitem-nas como genéticas. Mas um fato absolutamente indiscutível é a que DPA é incurável. Passemos a um exemplo clássico: Ed Gein, um fazendeiro aparentemente pacato que vivia em Plainfiled, Wisconsin, nos EUA. Sua mãe era controladora e não permitia que seus filhos saíssem da fazenda nem mativessem contato com mulheres e os mantinha em integral dedicação ao trabalho. Ao que parecia, sua mãe era lésbica e perturbada e costumava pedir a Deus para que seu marido morresse. Quando Ed ficou sozinho, começou a desenvolver hábitos estranhos, como conservar o cadáver da mãe empalhado, masturbando-se de tempos em tempos sobre ele. Em pouco tempo, varria os cemitérios em busca de corpos recém-enterrados para lhes retirar a pele e confeccionar artefatos como telas de quebra-luzes. Daí a matar foi questão de tempo. Sua primeira vítima foi Mary Hogan, de 54 anos, que matou atiros em dezembro de 1954. Em 1957 , após matar Bernice Horden, deixou indícios que o condenaram, sendo preso seguidamente. A morte de Bernice foi uma ocorrência absolutamente mórbida que chocou os moradores que conheciam Ed Gein. Depois de decapitada, foi erguida com cordas pelas mãos e pés. Ed trabalhou dedicamente em anatomizar seu corpo: seccionou sua genitália e abriu um talho que ia da base do pescoço à pélvis, deixando-o como um cabrito imolado. Na década de 50, Ed Gein foi o mais aterrorizante assassino em série conhecido na América.

12 dezembro 2005

OSACR????????


O Oscar é uma fraude! A academia é ridiculamete tendenciosa, premia o mais badalado, o mais caro, o mais midiático! Duvidam? Analisem o seguite: por que Titanic foi premiado? Um filme que explorou um romancete insípido, os efeitos especiais enquanto o fato histórico permanceu à sombra do Di Caprio! E por que não premiaram Sociedade dos Poetas Mortos no qual Robins Willinas nos conduziu às lágrimas. Alguém aí se lembra da cena final quando os alunos, em honra ao professor, sobem nas carteiras e proferem a célebre frase: "Ó Capitão, meu Capitão!"?

07 dezembro 2005

NADA MUDOU NEM MUDARÁ!!!



O que há comum entre estes homens?? Absolutamente simples, pois a história sempre se repete, não importa quão civilizados nos tornemos, não importa quanto preguemos o amor e a união entre os povos - Querem ser senhores do mundo, absolutos e insuperáveis. Uns usaram a força militar, outros, a força militar e o discurso rácico-ufanista, outras ainda, a força militar e o sentido mais forte e unificador de império; por fim, há o que usa uma das armas mais fatais combinada com leis malditas, alianças parasitárias e, é claro, a força militar, o capitalismo!

05 dezembro 2005

TETRACAMPEÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


"Corinthians grande, sempre altaneiro; és do Brasil o clube mais brasileiroooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!"

Como resposta aos maus perdedores, não importa se houve conquista com derrota, pois o rendimento fala por si: Venceu o melhor, o melhor ataque, o melhor aproveitamento!

TETRACAMPEÃO BRASILEIRO 1990 - 1998 - 1999 - 2005

02 dezembro 2005

Como expressou-se o poeta, "Às vezes uma dor me desespera.../Nestas ânsias e dúvidas em que ando, /Cismo e padeço, neste outono, quando / Calculo o que perdi na primavera." É um dobre choroso que o poeta verte, o próprio nome do soneto o diz "Remorso".
Pois, às vezes, uma dor me desespera e me invadem ganas violentas voltar-me contra tudo ao meu redor, num ato de abandono. Sim, sinto-me no desejo de correr o mundo algures e mandar às favas o que me prende aqui. Na minh'alma, esse clamor existencialista doloroso, esse desepero por contatar a mais absoluta verdade real: a vida humana é o mais miserável de todos os absurdos, a mais insensata de todas as existências. Punge-me a vontade de viver a intensidade e a plenitude da carreira reservada ao homem nessa terra. Diante da inultrapassabilidade do espectro da morte e do nada que se lhe segue, calculo o que tenho deixado de fruir e me empenho na busca do tempo perdido. Procurar amigos aqui, ali, alhures, sorrir-lhes uma afeição sem eco no mundo dos homens, abrir a alma a uma compaixão soberana, eliminar a autovontade, que é a feral representação do egoísmo.
Eis aí um projeto a começar...

30 novembro 2005





"A vantagem das emoções é que elas nos desencaminham!"


Oscar Wilde, in O Retrato de Doryan Gray

29 novembro 2005

QUE ANSEIO!!!


É uma lástima usar as máquinas fotográficas convencionais que, apesar de todos os seus recursos, em nada se aproximam das digitais. E eu, como me fico? Padecente!!! Tanto a fazer, tantas imagens a capturar para subi-las à rede e mostrar ao mundo a minha ótica, minha forma de colher, num rápido premer de botão, circuntâncias mais bem percebidas pela lente! No entanto, no momento, esbarro numa dificuldade: como tenho uma reliquial (para não dizer jurássica) máquina manual e o preço das revelações é escabroso, chegando a ultrapassar os R$ 25.00, me vejo contrangido à resignação de simplesmente esperar minhas finanças chegarem a um ponto de equilíbrio. A transição de vida, feita há quase um mês, rendeu-me algumas imposições financeiro-matrimoniais de que não posso desobrigar-me no momento. Resta-me esperar e deseperar até que consiga levar minhas mãos a uma excelente peça digital que fotografe em 35mm com tela LCD.

28 novembro 2005

UMA CARNIÇA


Lembra-te, meu amor, do objeto que encontramos
Numa bela manhã radiante:
Na curva de um atalho, entre calhaus e ramos,
Uma carniça repugnante.
As pernas para cima, qual mulher lasciva,
A transpirar miasmas e humores,
Eis que as abria desleixada e repulsiva,
O ventre prenhe de livores.
Ardia o sol naquela pútrida torpeza,
Como a cozê-la em rubra pira
E para ao cêntuplo volver à Natureza
Tudo o que ali ela reunira.
E o céu olhava do alto a esplêndida carcaça
Como uma flor a se entreabrir.
O fedor era tal que sobre a relva escassa
Chegaste quase a sucumbir.
Zumbiam moscas sobre o ventre e, em alvoroço,
Dali saíam negros bandos
De larvas, a escorrer como um líquido grosso
Por entre esses trapos nefandos.
E tudo isso ia e vinha, ao modo de uma vaga,
Ou esguichava a borbulhar,
Como se o corpo, a estremecer de forma vaga,
Vivesse a se multiplicar.
E esse mundo emitia uma bulha esquisita,
Como vento ou água corrente,
Ou grãos que em rítmica cadência alguém agita
E à joeira deita novamente.
As formas fluíam como um sonho além da vista,
Um frouxo esboço em agonia,
Sobre a tela esquecida, e que conclui o artista
Apenas de memória um dia.
Por trás das rochas irrequieta, uma cadela
Em nós fixava o olho zangado,
Aguardando o momento de reaver àquela
Náusea carniça o seu bocado.
- Pois hás de ser como essa infâmia apodrecida,
Essa medonha corrupção,
Estrela de meus olhos, sol de minha vida,
Tu, meu anjo e minha paixão!
Sim! tal serás um dia, ó deusa da beleza,
Após a benção derradeira,
Quando, sob a erva e as florações da natureza,
Tornares afinal à poeira.
Então, querida, dize à carne que se arruína,
Ao verme que te beija o rosto,
Que eu preservei a forma e a substância divina
De meu amor já decomposto!
Charle Baudelaire, in Flores do Mal



Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho um chimarrão...

25 novembro 2005

QUE GIRO, GIRO, GIRO!!!


CURIOSIDADE

O cardeal belga Gustaf Joos chocou a comunidade homossexual de seu país ao afirmar: "De todos aqueles que chamam a si próprios de gays ou lésbicas, apenas 5 ou 10% são de fato homossexuais. Os outros são todos pervertidos. Os verdadeiros homossexuais não andam pelas ruas com trajes coloridos e vulgares. Esses são pessoas com problemas graves que necessitam de ajuda imediata...!"

23 novembro 2005

UMA HOMENAGEM A BIANQUITA

Veio-me n'alma um desejo ingente de dizer-te o quanto és cara para mim, pois me parece que conhecemo-nos há muito e nem há um oceano a separar-nos! À amizade crescente in nobis per semper.
Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
Te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
Y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.
Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
Y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
Como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.
Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
Ah los vasos del pecho! Ah los ojos de ausencia!
Ah las rosas del pubis! Ah tu voz lenta y triste!
Cuerpo de mujer mía, persistirá en tu gracia.
Mi sed, mi ansia sin limite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue, y la fatiga sigue,
Y el dolor infinito.

22 novembro 2005

NUEVO FENÓMENO EN ESPANHA


Amigos,




Viram o furacão que passou no Bernabéu, na cidade de Madri, no último sábado??? Chama-se Ronaldinho Gaúcho!!! Com apenas 25 anos, ele se equiparou a Cruyff e a Maradonna, que saíram ovacionados pela hinchada rival. O gaúcho destruiu o meio-campo e a defesa das merengues que ficaram apenas a ver o baile futebolístico. A expressão do goleiro Cassilas diante dos dois gols últimos dá bem a idéia do terror que a equipe madrilenha passou. O mundo se rendeu ao mágico do futebol. O jornal espanhol El Mundo admitiu: El Bernabéu se tuvo que rendir ante la evidencia!!!

21 novembro 2005

Tenho deparado quão facilmente as pessoas se apegam às convenções sociais, algumas por patologia, outras por pedantismo estúpido e servilismo acéfalo e cego. Estas últimas são objeto inescapável do meu desprezo e fúria punitiva, pois, de certa forma , o incômodo que representam chega até mim. Quando digo convenções sociais, não aludo às regras sobre as quais apóia-se nossa sociedade para manutenção da ordem, do equilíbrio, da moral, dos bons costumes, das tradições sadias etc. Refiro-me, sobretudo, às superficialidasdes burguesas, às ostenções balofas de polidez vazia que, na maioria dos casos, ocultam um idiota disfarçado de homem moral e civilizado, enfim, detesto a ética excremetária desses tipos levianos com sua etiqueta afetada e que não esconde a hipocrisia.
A esse repeito, tomei conhecimento de uma caso absolutamente trivial, mas com seu interesse: estava sentado no meu sofá costumeiro, já vencido de sono tanto que cabeceava. A tv em frente a mim já desvanecia até que ouvi - Bruna Surfistinha (no Programa do Jô). O nome não me pareceu familiar, nunca tinha ouvido antes. Apenas dormi.
No dia seguinte, bradou-me a consciência em lembrança como um eco de algum resquício psicodélico. E fui à rede pesquisar. Confirmei as informações: B. Surfistinha, ex-garota de programa etc. Isso remeteu-me ao blogue da jovem e passei a considerar a sua angústia. Sim, atrevo-me a dizer que é uma angustiada, pois carregará para sempre os estigmas de uma opção infeliz - a perseguição, o assédio moral, as bravatas desaforadas dos hipócritas!
Certamente é de merecida consideração o fato de que será ostensivamente acossada pela opinião arrogante dos que não têm absolutamente respeito pelo ser humano diante de uma possibilidade de mudança, de redenção. As ex-prostitutas não podem gozar de sua civilidade e de sua humanidade como qualquer "puro" cidadão. Acaso têm, por força de uma disposição determinista, que abandonar sua dignidade e viver relegada a uma pura condição biológica e institiva, ou seja, ser uma puta, nada mais que uma puta? É isso o que pensam os presunçosos heróis da moral, não obstante seu discurso fumarento e camuflado pregue a piedade.
Lamentavelmente, vivemos no país da esperteza e da picardia, a matéria-prima do Brasil é um apanhado de velhacos, com suas exceções, é claro. Como escreveu João Ulbaldo Ribeiro, aqui "a esperteza é uma moeda mais valorizada que o dólar!" Que quero dizer com essa intercalação? Simples e sem medo de errar: os mesmos que criticam virulentamente a jovem, que a afligem e esbandalham, que a submetem ao chincalhe vulgar e desgraçante, certamente fazem uso dessa esperteza, dessa velhacaria ao terem o seu caso extraconjugal, ao se banquetearem à farta despendendo somas de dinheiro em festejos inúteis quando há tantos famintos e miseráveis nas ruas; ao promoverem referendos para desviar a atenção do povo da podridão moral que se descortina ante nossos olhos estarrecidos; ao fazerem "gato" de eletricidade, defraudando o vizinho; ao trazerem para casa o que é não seu, tirando do escritório, por acharem que ninguém vai sentir falta, enfim todos estes são os que julgam a jovem por um destino traçado pela sociedade que compõe este país.

18 novembro 2005

RENOVATIO TITULI

E implementei mudança no blogue - o título - como que movido pelos anseios mudos de alguns leitores; agora chamem-no A Casa de Usher, que nomeia um dos mais fantásticos contos de Edgar Allan Poe. Roderick Usher é uma amigo de infância do narrador - personagem cujo nome não se refere. Este é convocado a visitá-lo e descobre mudanças surpreendentes na vida e no procedimento do velho Usher, um hipocondríaco de hábitos sombrios e que mora num casarão em cuja descrição Poe se esmera de sorte a deliciar-nos, revelando-nos uma mansão antiga sob nuvens baixas e opressoras - "uma simples casa de propriedade, as paredes áridas, as janelas semelhando a olhos vazios, perdidos no nada, um pequeno canteiro de junças, e uns poucos troncos brancos de árvores apodrecidas..." Assim descreve os primeiros caracteres daquela mansão fantástica que exerceu profunda influência sobre Usher. Como Poe prega em sua Filosofia da Composição, o escritor deve elaborar sua obra com a consideração de um efeito e esse efeito que Poe busca atingir em A Queda da Casa de Usher é o terror, o medo na sua forma mais cruenta que ele já introduz nas páginas iniciais do conto.
Para atingir esse efeito, o conjunto do conto deve estar intimamente ligado a ponto de impor o cenário dominante onde ocorrerão os sucessos espetaculares de medo e desespero ante o desconhecido: o clima é frio, melancólico, domina o inverno ou o outono, pois as folhas caem e ar é cortante; a paisagem é plúmbea, consternadora, invadindo o espírito de modo brutal e terrificante. Os acontecimentos havidos entre o narrador e Usher são perfeitamente estranháveis e estarrecedores, pois a atmosfera sombria é conservada em tudo. A doença dos irmãos gêmeos Usher e Lady Madelaine, a linearidade da descedência familiar, isto é, sem ramificações, as leituras sinistras e assombrosas (e no entanto deliciosas!), as obras de arte, as composições, as improvisações musicais do hipocondríaco à guitarra, suas supertições terríveis acerca da influência que a casa exerceu sobre ele e sua família, os efeitos devastadores que causavam a composição do lago obscurecido, a disposição das pedras, as torres cinzentas, enfim, tudo a respeito da casa pareceu-lhe determinar o destino, trazendo-lhe à moral e à existência um efeito medonho e escatológico.
É uma parte interessantíssima a da condição da irmã Madeleine. Sua doença era um absurdo desafio aos médicos que renderam-se à impossibilidade de cura. A infeliz enferma era afligida, segundo diagnóstico, por uma apatia fixa e torturante que frequentemente a abatia e derreava à cama, até que, por fim, sucumbiu à força extenuante daquele flagelo silencioso e partiu do mundo dos vivos. Inspirado pela leitura de um manual antigo de uma igreja esquecida e, particularmente, sengundo ele, devido à natureza da doença da defunta, Usher decidiu preservar o corpo da irmã durante uma quinzena para a realização de um ritual descrito na obra.
O excesso se percebe em tudo até o clímax do conto com o desaparecimento da casa sob os estrondosos e mortíferos ventos de uma tempestade.
Eis a razão por que escolhi o titulo e tenham-no!!!

16 novembro 2005

Galego

Tenho uma sonante queixa! Lástima! Lástima! Há muito tenho me empenhado em conhecer a normatização da língua galega, para isso hei buscado em todos os lugares óbvios de minha cidade gramáticas galegas ou, pelo menos, manuais explicativos sobre os mecanismos e a história da língua.
Devassei os sebos e as livrarias - amigos galegos, sabeis o que é sebo? Aqui no Brasil é uma designação comum para estabelecimentos de venda de livros usados e antigos. Provavelmente deriva da expressão
ensebar, que vem mesmo de sebo na sua acepção metafórica, possivelmente, passar de uma mão à outra, isto é, mudar de proprietário, de leitor. Atualmente, o termo parece estar restrito ao sudeste e ao sul do Brasil, enquanto que no nordeste prefere-se o termo alfarrábio, que é na verdade a designação do próprio livro ou revista usada, mas os nordestinos generalizaram o uso por extensão, uma espécie de metonímia, e a palavra se fiormou. Assim, vasculhei os sebos, dos mais recentes ao mais antigos e nada encontrei que me satisfizesse.
Meu interesse pelo galego tornou-se-me uma acossa, posto que me chamam muito a atenção características peculiares do galego que o tornam um reflexo português arcaico. O uso do "x" no lugar do "j" e "g" portugueses me impressionam bastante. Fico a imaginar um galego-falante aqui no Brasil, causando estranhamento com frases como
" Xa está, solteino todo...Despois a realidade (...) díxome que seguía alí, e que con palabras non a podía cambiar." (*) ( Elianinha, se estás a ler esta postagem, não te preocupes, preservarei os direitos autorais :D).
Parece-me, e eu não gostaria de concluir assim, que meu estado é um péssimo modelo na difusão da cultura de línguas de origem ibérica, contribuindo isso para sua já andante desvalorização, haja vista já sermos homiziados pelo preconceito dos que vivem em regiões mais desenvolvidas do país.