25 agosto 2005

GALEGOFILIA!!!


Praz-me sumamente o ver as manifestações nacionalistas da Galiza, em respeito à sua identidade e sua língua lamentavelmente tratada durante séculos como língua de incultos pela elite espanhola, na sua vaidade fumarenta.
Espanhol???? Sou galego, ti toleas?

12 agosto 2005

Noites e Brumas


Por estas noites frias e brumosas
É que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela pálida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas
Mas um perfume cálido de rosas
Corre a face da terra adormecida ...
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas:
Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas ... um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes ...
E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.
Olavo Bilac, poeta parnasiano brasileiro

11 agosto 2005

Ecce Civita Mea


Eis aí minha cidade, Maceió. Essa é a visão de uma de suas partes nobres e de elevado interesse turístico. O bairro de Ponta Verde que atrai anualmente a vista deslumbrada de europeus, latino-americanos e anglo-americanos ávidos por consumir nossos "souvernirs". Em tempo, o bairro se chama Ponta Verde por razões evidentes que estão à cara: ele literalmente tem a forma de uma ponta de terra e está rodeado por convidativas águas glaucas, como podem ratificar.

02 agosto 2005

THERION IN CONCERT


Alguém aí na web conhece Therion? É uma de minhas bandas preferidas, pois tem a virtude do bom senso: optar por um estilo diferenciado do ramerrão geral, fundem o peso dos metais com a sutileza divina dos coros medievais em que se destacam as belíssimas vozes de sopranos, tenores, barítonos, baixos etc.

20 julho 2005

PUGNA GLADIATORIUM


Esta é uma postagem tardia, mas hoje pela manhã deram-me venetas de subir esta foto à rede. A imagem de um triunfo que lavou-nos a alma (que peninha dos argentinos!!!) e revigorou-nos a confiança para o certamen do ano entrante. Se futebol esplendoroso demonstrado na final da copa das confederações for repetido em 2006, esse gesto glorioso voltará a ser visto pelos olhos alumbrados do mundo. Brazil is gonna keep on the top, exalt the champions!!!

19 julho 2005

NOSFERATU


Um tema fascinante, de evidência irresistível, profundo e violento, eis o vampirismo. Desde as lendas antigas arraigadas na cultura européia até as literaturas modernas, o vampiro se faz presente na sua imponência, na sua majestade sombria, no seu mistério impenetrável. Um mito de séculos, mas tão real quanto qualquer crença, desde que a imaginação e o fascínio pelo hórrido, pelo macabro o tornem vivo.
Apesar de ter sido absorvida pela cultura de massa e muitos de seus aspectos terem sido banalizados por uma exploração vulgar, a figura do vampiro continua sendo apaixonante, malgrado os óbices religiosos que eu próprio confesso professar. Sim, é demoníaco e tenebroso? Quem segue sua trilha de sangue, a sua jormada medonha pelos séculos faz uma concessão a Satanás? Sim e não, pois o fascínio que ele desperta não é apenas objeto de culto, mas, necessariamente, de pesquisa antropológica.
Quantas vezes não foi a figura do vampiro um meio de expressão metafórica para traduzir as angústias humanas despertadas pela ânsia diante da morte? O desejo de eternidade que sempre permeou a alma do homem que se debatia por afugentar o espectro da morte do átrio do banquete universal.
Trabalhando tais questões, decobri, recentemente, VOIVODE – Estudos Sobre Vampiros – uma obra que me espicaçou o interesse e que se propõe analisar essas e outras questôes, apresentando o tema nas suas realidades histórica e cultural, oferecendo textos que exploram o seu rico universo mítico; ademais, VOIVODE também se preocupa em averiguar a projeção não apenas literária do vampiro, mas também psicológica e antropológica.
Obra imprescindível para todo aquele que se banqueteia com um mistério que povoa o imaginário humano há séculos.

18 julho 2005


Hoje começo, formalmente, o curso à faculdade de Filologia Românica. Rumo à UFAL!!!

13 junho 2005

Deparou-se-me algo impressionantemente curioso nesta rede vasta, chama-se Endelva, uma garota grega que reside em Derby, na Inglaterra; ela é enigmatica, tem um olhar performático, algo que lhe serve a contento, cuido eu, para a realização de suas fotomanipulações. Algumas assustam caso o observador inocente as veja.Que fato singular! Pacereu-me uma pintura de Bosch!

07 junho 2005

REDITUS SUM! PARTE 2

Devido a problemas de ordem essencialmente técnica, a saber, o servidor de rede do prédio donde conecto sofreu uma drástica avaria e eu fiquei sem internet por alguns dias. Por enquanto, nosso analista de sistemas recorreu a uma medida caseira para sanar a incoveniência, mas, temo eu que a solução defintiva só venha a longo prazo. Resta a nós, os colaboradores, empenhar uma torcida para que essa medida caseira não falhe. Mas, por isso, não deixo de visitar-vos, amigos. Tenho ido aos domínios oceânicos de uma Concha portuguesa apreciar seu bom gosto por imagens por demais expressivas e policrômicas.
Um pensamento, a propósito, me vem ocupando a facha e a cachola: essa filha dos mares, conterrânea de Camões (que grande honra), em pessoa refulge tantas cores como as imagens que deita-nos à vista?

27 maio 2005

REDITUS SUM!!!!!

Recuperei-me de uma prostação de alguns dias! Febre, desconforto abdominal etc, fiquei deprimido a ponto de nem olhar pela janela do quarto a luz do sol. Mas eis-me aqui, são e incólume, graças a meu bom e misericordioso Deus!

09 maio 2005

A PRIMEIRA PAIXÃO

Pela manhã, ao acordar, vieram-me ao pensamento lembranças antigas. Busquei alguma citação melancólica na memória, para avivar-me tais reminiscências e achei Cecília Meireles, a reverenciada, a doce, a bela e suave poetisa brasileira, que tanto cativou outro poeta, Vinícius de Moraes. De encontrão, um belo poema de Cecília passou-me pela alma, deixando-a a recender a flor.
Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos
E nas tuas antigas palavras;
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos
Que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.
Dei-me com a recordação de uma moça, que há muito me alumbrou. Encetava eu a carreira do estudo do primeiro grau maior. Era franzino, tão franzino que o virem-me a mim era suficiente motivo de considerarem-me doente. Trespassava-me também uma timidez tonante e furiosa que me fizera, por anos, reter uma paixão à distância. Era um tremendo himeneu com a desventura de ser solitário. Olhos fundos e violáceos e lábios róseos que até hoje conservo. Cabelos negros a cair-me sobre a fronte, mas que hoje cedem lugar, aos poucos, a uma calva impiedosa, que avança sem aviso.
Foi numa noite de não sei quantos de uma época que hoje me é um paraíso perdido. Um céu que se desfez, tornou-se incerto como um sonho. Aquela jovem, ao trilhar a rua ante meus olhos surpresos, deitou-me um olhar tão penetrante que a minha infância-adolescência se mudou perturbadoramente, as auroras e os crepúsculos a partir dali não foram mais o mesmos. Era um amor cortês, uma flor trovadoresca a vicejar no peito, pois eu sabia bem que era como um trovador e que aquela senhora era-me impossível por diversos motivos. Dava-me, porém, gozo indizível o vê-la, mesmo que por uma única vez, entre a multidão, "toda alta, sutil, dor majestosa". Naquele momento, sem o saber, experimentei, pela primeira vez, o que Baudelaire sentiu no século XIX: A Síndrome de Baudelaire.
O correr dos anos veio então, e a tenho esquecida, mas não por completo. Essa crônica é eco daquele sentimento que me convulsionou o espírito por anos. Não me recordo, contudo, daquela jovem com a ternura dos onze anos; impera-me no peito somente a alegria de ter vivido uma primícia amorosa, nada mais.

02 maio 2005

UMA AMOSTRA DO NORDESTINÊS

Seguindo a esteira das últimas publicações, resolvi tematizar outra realidade lingüística, mais propriamente a realidade dialetal do Brasil. Coligi um apanhado de termos empregados em Alagoas, estado brasileiro que é minha atual morada. Na verdade, tenho raízes fincadas nele desde que nasci, há 25 anos. O português falado em Alagoas não é exatamente um dialeto, mas integra um âmbito dialetal maior, que os especialistas resolveram classificar como dialeto nordestino.
Tenho presenciado pessoalmente algumas diferenças vocabulares que decidi aqui reunir. O estado em questão tem como capital Maceió, está localizado na Região Nordeste, abriga a foz do rio São Francisco - que demarca a divisa com os estados da Bahia e Sergipe. Além de belas, muitas praias do litoral alagoano têm grande função ambiental, como por exemplo, a praia de Peba, propícia à desova de tartarugas marinhas. Outro ponto atrativo, sob a ótica do turismo, é a serra da Barriga, em União dos Palmares, onde no século XVII se ergueu o Quilombo dos Palmares, o mais importante centro de resistência dos negros, no século XVII. A região de Alagoas foi invadida pelos holandeses, entre os séculos XVI e XVII. Os colonizadores,em choque com os nativos, dizimaram diversas tribos indígenas, para manter o domínio do território. O estado tem uma população de 2.822.621 habitantes que se designam alagoanos.
Seguem abaixo os diversos termos característicos desse estado:
ABAIANADO: muito enfeitado, com cores berrantes, sem bom gosto.ABESTADO: besta, idiota, imbecil.ABILOLADO: abestalhado.ABISTUNTADO: lesado, abestalhado.ABRIR(-se): rir, achar graça; sair da situação para fugir das conseqüências, acovardar.ABUSADO: atrevido,metido;ACERTAR NA VEIA MESTRA: engravidar uma mulher.ACOCHAR: apertar, forçar uma de preso, dar duro.AFULEIMAR: inflamar.AFULOSADA: mulher de vagina enlarguecida, muito aberta, que não é mais apertadinha.AFULOSADO: arrombado, que teve o ânus enlarguecido.AGOADO: pão de massa fina na forma de dois rocamboles juntos.AIÉGUA: interjeição de lamentação (também se usa "aizégua").AJUIZAR: dirigir partida de futebol (apitar), ser o juíz da partida.ALUÍDO: rosca danificada, que não aperta mais.AMANCEBADO(a): amaseado, que vive maritalmente c/ alguém sem estar casado;AMANCEBAR: se juntar, viver junto sem casamento.AMARFANHADO: mal-vestido, desalinhado, amarrotado.AMASIAR: se juntar, como amante.AMOLE(n)GADO: remexido, apalpado, revirado, muito manuseadoAMOSTRADO: exibido, que gosta de aparecer, de se mostrar a outrosAMUADO: chateado, irritadoAMULEJO: feixo de mola do carro.AMULESADO: afeminado, que tem jeito de mulher, homossexualAMUNDIÇADO: mal educado (principalmente nas refeições).ANCHO: feliz, elogiado.ANDAÇO: diarréia (porque a pessoa se dirige ao mato).APLICAR XEXO: não pagar uma conta, cambalacho, sair sem pagar.APOQUENTAR: chatear, amolar a paciência.APROCHEGAR: se aproximar, chegar mais perto (aproximar+chegar).ARATACA: nordestino, cabeça-chata; armadilha para pegar ratos.ARENGA: intriga, briga, fuxico.ARENGAR: brigar, resmungar, criar caso.ARFAR: mal-estar de quem comeu demais.ARIADO: desorientado.ARRANCA-RABO: confusão, briga, rolo.
ARRETADO: muito bom, muito legal.ARRIADO: indica também "estar apaixonado".ARRIBACÃO: versão sertaneja do feijão tropeiro ou baião de dois.ARROCHA !: aperta! xumbrega!.ARROCHADINHA: mulher de vagina apertadinha.ARROCHAR: apertar, dizer desaforo, tirar uma casquinha (sarro).ARROMBADO: que teve o ânus penetrado e enlarguecido, ânus rasgado.ARRUDEIO: volta, desvio, caminho maior.ARRUDIAR: dar a volta por fora, ir pelo outro lado.ASSUNTAR: pensar, refletir sobre um assunto; tratar de um assunto.ATARANTADO: atarefado, confuso com tanta coisa pra fazer.AVE: interjeição de espanto (ave maria!).AVEXADA: com muita pressa, preocupada, nervosa.AVIA !: interjeição para apressar alguém (avia mulé!).AVIÃO: jogo de amarelinha (brincadeira infantil).AZEITONA: fruta conhecida como brinco-de-viúva; cocô de cabrito.AZOGADO: Louco, doido, endiabrado.AZOGUE: ímã.AZUADO: doido, "tan-tan", perturbado.AZULADINHA: nome de uma cachaça local.AZUNIR: jogar, sacudir.AZURETADO: atrapalhado, perturbado, confuso.AZURETAR: atrapalhar, perturbar, irritar, tirar a concentração de alguém.AZURUÓ: louco, doido.
BILÔRA: desmaio; bilunga.BILUNGA: pênis, pênis de menino.BIMBA: pênis.BISCAIA: mulher da vida, piranha, quenga.BIZU: cola de prova, dicas de prova, pesca.BIZUNGA: beija-flor.BOBA DA PESTE: interjeição de raiva, algo muito ruim.BOCA DE CAIEIRA: sujeito bravo, valente.BOCA DE SIRI: refere-se também aos políticos que nunca se manifestam.BOCA QUENTE: pessoa importante, que tem influência ou experiência.BOCAL: o ânus.BOFADA: barulho fofo.BOGA: ânus.BOIAR: parar por cansaço.BOLACHEIRA: lésbica.BOLO DE ROLO: rocambole.BOMBA: tipo de confeito, bombom; dinheiro; posto de gasolina.BORÓ: dinheiro; cigarro de pobre.BOROCOXÔ: triste, cabisbaixo, sem ânimo.BOTAR BUCHO: engravidar.BOTAR GALHA: cornear, botar pontas, chifrar, trair.BOTAR O BEZERRO: vomitar de tanto beber, vomitar o pirão de louro.BREGUEÇO: indivíduo ou coisa desclassificada, uma coisa qualquer.BRINCO-DE-VIÚVA: fruta semelhante a jaboticaba.BRONHA: masturbação (do homem).BRUGUELO: criança pequena.BUCHADA: iguaria feita c/ picado de vísceras cozidas dentro do bucho.BUFAR: emitair gases intestinais; soprar de raiva.BUFO: flato; sopro forte.BUFO-BUFO: pancadaria.BULIR: mexer, provocar, irritar, deflorar.BUTIJA: espécie de tesouro (dinheiro, jóias, ouro) guardado (quando não havia bancos).
CABAÇO: hímem.CABAÇUDA: mulher virgem (fêmea virgem), que tem cabaço.CABEÇA DE ROLA DOIDA: cabelo curtinho de mulher.CABEÇÃO: vestido de baixo, muito usado antigamente.CABRA: uma pessoa, um cara, um gajo;
CABRA DA PESTE: homem bem resolvido ou muito valente;: ENTABICADO: repleto, cheio, entupido.ESBAGAÇADO: destruído, esmagado, amassado.ESBORRAR: transbordar.ESCATEMBRADO: estragado, deteriorado.
Evidentemente, o vocabulário, na prática, é extensíssimo, não sendo o objetivo deste blogue publicá-lo assim; visa somente a oferecer uma amostra da ampla variedade que caracteriza o português brasileiro.

26 abril 2005

Vocabulário Luso-Brasileiro, ora pois!!!

Segue o catálogo de palavras que distinguem o vocabulário luso do tupiniquim:

Portugal Brasil
Baliza Trave (de futebol)
Banda Desenhada Revista em Quadrinhos
Bairro da Lata Favela
Banheiro Salva-Vidas de Praia
Bebedeiro Mamadeira
Berlinde Bola de Gude, Chimbra
Boléia Carona
Bolo-Rei Bolo de Panetone (comido no Natal)
Botequim, loja de bebidas de café Loja de Bebidas Alcoólicas
Brigada de Trânsito Polícia Rodoviária
Burgo Pequena povoação
Qualificação Classificação
Quezília Aversão, Antipatia
Pastilha Elástica Chiclete
Tira-Cápsulas Abridor
Hospedeira de Bordo Aeromoça, Comissária de Bordo
Lixívia Água Sanitária
Elétrico Bonde
Sebenta Apostila
Piroso Brega
Boceta Caixa (no Brasil, na língua popular, boceta significa “vulva”)
Descapotável Conversível
Picheleiro Encanador
Penso Rápido Esparadrapo
Agrafador Grampeador
Peúgas Meias
Coima Multa
Peão Pedestre (No Brasil, peão é usado p/ designar o amansador de cavalos)
Paragem Ponto de Ônibus
Sandes Sanduíche
Calcinha Cueca
Capachinho Peruca
Sumo Suco
Bica Cafezinho
Autoclismo Descarga
Autogol Gol Contra
Autocarro Ônibus

22 abril 2005

Ora, pois!!!

Muito interessado nas difrenças entre o Português aqui falado e o falado em Portugal, resolvi compilar aqui alguns termos e expressões que nos difrenciam, brasileiros e lusos, no uso diário da língua.

Portugal Brasil
A bandeiras despregadas Com toda a a expansão
A capucha Escondidamente, sem alarde
A colaço A propósito
A eito Sem interrupção
A Deus misericórdia Graças à misericórdia de Deus
A falsa fé A traição, deslealmente
A finca Com empenho, com afinco
A fito Atentamente
A furtapasso Depressa
A lanço De propósito
A mão tenente À queima-roupa, de muio perto
A unhas de cavalo Com maior rapidez
A sabor À vontade, a bel-prazer
A vozes Em altos gritos, a plenos pulmões
Ao viés Obliquamente
Cacete, o pão francês; Pequeno bastão de madeira
Cachopa moçoila; moça pequena
Calçada O que aqui conhecemos por rua
Camisola Camisa
Carniçaria Açougue
Carniceiro Além das acepções comuns ao Brasil, signinifica também
açougueiro
Carta de condução Carteira de motorista
Chapéu de chuva Guarda-chuva
Casa de banho Banheiro
Pai Natal Papai Noel
Bicha Fila
Pica, injeção No sentido vulgar, pênis
Pivô de telejornal Âncora de telejornal
Pomada para sapatos Graxa para sapatos
Puto, garoto masculino de puta - meretriz
Comboio Trem
Ceroulas Cuecas de homem
Morgue Necrotério
Gorja Garganta
Leitor de cassetes Toca-fitas
Viado, no sentido de antigo
pano listrado Homossexual masculino, pederasta
Gajo Palavra equivalente a "o cara", designativo indefinido de
homem, no Brasil
Giro Bonito, engraçado, interessante

18 abril 2005

AFORISMO DE OSCAR WILDE

“Quão afortunados são os atores! Cabe-lhes escolher se querem participar de uma tragédia ou de uma comédia, se querem sofrer ou regozijar-se, rir fartamente ou esfazer-se em lágrimas; isso, porém, não sucede na vida real. Quase todos os homens e mulheres são forçados a desempenhar papéis para os quais não têm a menor propensão. O mundo é, de fato, um palco, mas os papéis são pessimamente distribuídos.”

“Aquele que se mantém o mais longe possível do seu século é, na verdade, o que melhor o espelha.”

“As boas intenções são a ruína do mundo! Os homens que, de algum modo, conseguiram alterar a sociedade não tinham intenção alguma.”

“O que vem a ser o cínico? O homem que conhece o preço de todas as coisas e o valor de nenhuma delas.”

“Os homens desejam sempre ser o primeiro amor de uma mulher; este é um efeito da sua insensata vaidade. As mulheres têm um instinto mais sutil: elas desejam ser o último amor de um homem.”

11 abril 2005

CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS JÁ!!!

O colunista Fiuza, em sua matéria “O Papa Empalhado”, a começa com a intercalação das seguintes frases, não sei se tiradas por ele ao convívio com os jornalistas que, nessa semana de exéquias papais, ouviram ou leram sobre o afã que tomou as atalaias da carcaça do papa, ou não sei se imaginadas por ele diante do referido afã: “Ajeita o pé do papa que tombou de novo! A cabeça tá balançando, não inclina! Fecha a boca do Papa!”.
Essas frases, se verdadeiramente proferidas ou não, num dos maiores espetáculos jornalísticos de todos os tempos, apontam para uma realidade infeliz e perversa no âmbito da religião – o declínio da idealidade espiritual. Com efeito, tal fato não é tão inédito e nem deve provocar surpresa nos observadores para quem importa a preservação da pureza doutrinária que a Igreja Católica abandonou há séculos, com suas práticas idolátricas, seus dogmas desafiadores da sã doutrina exarados em espicilégios e hagiografias múltiplas.
Ultrajou-me por demais ver durante a semana dos funerais um verdadeiro espetáculo de veneração a uma carcaça sem vida. Longe de mim maldizer um morto, ou um vivo, não faz diferença, quando não há razões imediatas, mas eu lastimo a degradação espiritual a que humanidade chegou, ao erguer um ídolo entre ela e o próprio Deus, verdadeiro e único objeto de veneração.
Como já disse o próprio Fiuza: “Se os fiéis que entopem os funerais do papa declaram sentir-se, diante de sua figura mumificada, como se estivessem na presença de Deus, é preciso parar tudo e mandar todo mundo de volta à primeira comunhão. Lição número um: Deus é espírito.” Sim, Deus é espírito e, conforme deitou Paulo nas páginas bíblicas, “é necessário que todo aquele que dEle se aproxima para adorá-lo, o façam em espírito e em verdade”. Em espírito, pelo reconhecimento de que ELE não está limitado a espaços nem a corpos, para receber veneração materialista; em verdade, pelo conhecimento que a bíblia registra, de que só existe um mediador entre Deus e os homens, a saber: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo;” (1 Timóteo 2.5).
O culto cadavérico visto a olhos pasmos pelos sinceros é uma prova cabal de que Deus foi substituído no coração da humanidade, e a Babilônia Espiritual embriagou-se, naquele momento, com a adoração cega e mal direcionada de uma turba desinformada das verdades eternas, “levada em roda pelos ventos de doutrina”, destronando, no centro de sua vida, o Deus único e perfeito; derribando o seu altar e substituindo pelo de um homem comum como todos os homens, imperfeito e perecível como todos os homens.
A imagem mórbida do papa foi conduzida perante a multidão extasiada, num claro simbolismo estéril e enganoso em que a religiosidade se confundia com mercadologia política. Lamente-se!

06 abril 2005


Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
— Árabe errante, vou dormir à tarde
A sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.

Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher — camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas,
Minh'alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas ...

E a mesma voz repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: — impossível!

Eu sinto em mim o borbulhar do gênio,
Vejo além um futuro radiante:
Avante! — brada-me o talento n'alma
E o eco ao longe me repete — avante! —
O futuro... o futuro... no seu seio...
Entre louros e bênçãos dorme a glória!
Após — um nome do universo n’alma,
Um nome escrito no Panteon da história.

E a mesma voz repete funerária:
Teu Panteon — a pedra mortuária!

Morrer — é ver extinto dentre as névoas
O fanal, que nos guia na tormenta:
Condenado — escutar dobres de sino,
— Voz da morte, que a morte lhe lamenta —
Ai! morrer — é trocar astros por círios,
Leito macio por esquife imundo,
Trocar os beijos da mulher — no visco
Da larva errante no sepulcro fundo,

Ver tudo findo... só na lousa um nome,
Que o viandante a perpassar consome.

E eu sei que vou morrer... dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem Por braços uma cruz erguida.
Sou o cipreste, qu'inda mesmo florido,
Sombra de morte no ramal encerra!
Vivo — que vaga sobre o chão da morte,
Morto — entre os vivos a vagar na terra.

Do sepulcro escutando triste grito
Sempre, sempre bradando-me: maldito!

E eu morro, ó Deus! na aurora da existência,
Quando a sede e o desejo em nós palpita..
Levei aos lábios o dourado pomo,
Mordi no fruto podre do Asfaltita.
No triclínio da vida — novo Tântalo
O vinho do viver ante mim passa...
Sou dos convivas da legenda Hebraica,
O estilete de Deus quebra-me a taça.

É que até minha sombra é inexorável,
Morrer! morrer! soluça-me implacável.

Adeus, pálida amante dos meus sonhos!
Adeus, vida! Adeus, glória! amor! anelos!
Escuta, minha irmã, cuidosa enxuga
Os prantos de meu pai nos teus cabelos.
Fora louco esperar! fria rajada
Sinto que do viver me extingue a lampa...
Resta-me agora por futuro — a terra,
Por glória - nada, por amor — a campa.

Adeus... arrasta-me uma voz sombria,
Já me foge a razão na noite fria!...

Castro Alves, em 1864. Posted by Hello

29 março 2005


Ofélia de Milais.Tanto nesta obra como nas descrições de Shakespeare, a virgem louca que, tomada de dor perturbadora pela morte do pai e paixão alucinante pelo jovem Hamlet, atirou-se para a morte nas águas de um lago, é, para mim, longe, a morta mais bela e divina que já vi.  Posted by Hello

23 março 2005


Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero um pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: de carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas...

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
De transparente túnica através:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus... toda nua, da cabeça aos pés!

Raimundo Correia, parnasiano Posted by Hello

18 março 2005

DESENTRANHAMENTO

CERTAS PESSOAS HÁ QUE SÃO TÃO IMATURAS E ABESPINHANTES, TÃO MISERAVELMENTE DESPROVIDAS DE SENSIBILIDADE, TÃO TENDENTES A ORGULHAR-SE DE SEUS ATOS DESMERECENTES, A FAZER GLÓRIA DO BALDÃO QUE A SUA EXISTÊNCIA SE TORNA UM INSULTO. E, PARA DESGRAÇA MAIOR, ACHAM QUE PODEM LOGRAR SE POSICIONAR DE BONS-MOCISTAS! VÃO COM MIL SATANASES TODOS ELES, PRINCIPALMETE TU, PIRRALHA RIDÍCULA!